REFÉM DE MIM
Me prendi no meu laço.
Me fiz minha escrava.
Domei meu gênio de
fera.
Corri as unhas na
madeira.
Pra não ferir meu
coração.
Esmaguei pedaços de
algodão.
Entre os dedos a
areia a escorrer.
A ampulheta do tempo
a me dizer.
Que não sou dona de
mim.
Que correm águas por
baixo de pontes.
Que duas crianças
caminham por estradas do futuro.
Que não existe porto
seguro.
Que se escondem
bruxas em porões escuros.
Ameaças atrás dos
muros.
Amordaçada, ameaçada.
Me vejo a voar num
espaço meu.
Onde nada me ameaça.
Nem eu...
sonia delsin

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