sexta-feira, 22 de março de 2013




SEU SORRISO


As calçadas cobertas de folhas amareladas.
Outono...
Meu olhar preso às folhas mortas...
Um sorriso eu procuro.
Mesmo sabendo que não verei mais.
Um rosto que se iluminava ao me avistar.
Busco com os olhos, com o coração.
Dói-me relembrar e este sorriso buscar.
Este sorriso que nunca esqueço.
Entre as folhas consigo quase enxergar
um sorriso que anseio tanto divisar.


sonia delsin 



MORRER DE AMOR

Quero morrer nos seus braços.
Com a cabeça encostadinha
em seu peito.
Ouvindo as batidas do seu
coração.
Tanto amor! Tanta dor!
O tempo carregou o que fomos.
Carregou tantos sonhos...
e nos separou.
Busquei o amor...
e encontrei o sofrer.
Partidas... idas...
Não há mais volta para nós.
Acabamos de descer a cortina.
O espetáculo se findou de vez.
O esquecimento chegará por fim
quando os vermes fizerem festa
em mim...

sonia delsin 



PROCURANDO VOCÊ

Já vi seus olhos
nos meus sonhos...
Vi seu sorriso.
Seu rosto sério.
Já vi você caminhando...
Me procurando?
Ah! quem me dera...
Andei buscando você
nos meus sonhos.
Fora deles.
Em que esquina do mundo
está marcado
um encontro pra nós?...

sonia delsin 



CONFLITOS

Rolam lágrimas...
Ensopam minha blusa.
Convulsivamente choro.
Choro.
E o alívio não vem.
Choro pelo ontem
que morreu.
Pelo hoje que nasceu.
Pelo amanhã...
Mergulho no Gênesis.
Diante do Apocalipse
eu tremo.
Sou um ponto no Universo.
Um inseto. Menos que isso.
Quero alcançar algum saber.
Busco... não encontro.
Desencontro.
Estou confusa, difusa.
Ensopo a blusa.


sonia delsin 



VOU ESQUECER VOCÊ

Como você demorou a entender que eu lhe queria.
Como custou a perceber o que eu
representava em sua vida.
Distraiu-se tanto com miragens e perdeu o melhor de mim.
Não procurou nos meus olhos o paraíso que
imaginava fora deles.
Catou migalhas pelo chão enquanto perdia
um banquete inteiro
que eu lhe oferecia.
Iludiu-se com sonhos tão simplórios.
Esteve caminhando pelos becos
quando eu lhe mostrava avenidas todas floridas.
Você esteve tentando segurar a água num copo furado.
Tentando saborear um fruto bichado.
Tenho pena de você que perdeu o melhor
e nem soube avaliar.
Tenho pena de você que era tão rico
e agora vive a mendigar.
Vejo-o ainda a vagar,
tentando a algum sonho se agarrar
e sinto um desejo louco de o chamar.
Mas a vontade passa quando recordo
tudo que me fez sofrer.
Todas as lágrimas que derramei.
Todas as noites de insônia.
Não, sei que não merece que eu ainda faça
alguma coisa por você...
Nem mesmo este...
meu último pensamento
eu devia dedicá-lo a você.
Mas é o último, pode crer!
Depois dele vou lhe esquecer.

sonia delsin 



SE EU PUDESSE...

Ah! Se eu pudesse... 
dobrar uma esquina 
e encontrar você. 
Você, que levou 
um pedaço de mim 
quando se foi. 
Você que eu amei 
mais que a tudo 
no mundo. 
Você... que eu 
amo tanto ainda. 
Ah! Se eu pudesse... 
voar de encontro 
aos meus sonhos. 
Transformar em realidade 
todas as minhas fantasias. 
Ah! Se eu pudesse... 
corrigir os erros cometidos. 
Parar no ar as setas disparadas. 
As setas que descuidadamente 
deixei que ferissem 
os seres amados. 
Ah! Se eu pudesse... 
não chorar o leite derramado. 
Não lamentar o tempo passado. 
Ah! Se eu pudesse... 
não ter nascido com essa alma 
sensitiva que tudo capta... 
Ah! Se eu pudesse... 
capturar todos os 
momentos felizes 
que me escaparam. 
Sairia catando 
os cacos de mim. 
E num enorme 
quebra-cabeça 
montaria de novo 
o que fui... 


sonia delsin 



SER POETA

Ser poeta é elevar-se 
da condição de humano. 
É ter consciência de possuir asas... 
e usá-las para explorar os espaços 
permitidos 
e não permitidos... 
É deixar escapar a alma e transformá-la 
em poesias. 
Poesias que falam de amor, de dor, de sofrimento... 
de alegria, de mar, de luar... 
de paixão, de desilusão... 
Ser poeta é ter coragem de ousar, de procurar... 
musas para se inspirar. 
É buscar, é explorar... 
sem sair do lugar. 
É conseguir se enfeitiçar com o luar e 
imaginar paraísos 
para se deliciar... 



sonia delsin 



DESLUMBRAMENTO

As coisas externas já não atingem meus sentidos.
Estou dentro de mim e a sensação é boa, é nova, é única.
Consigo transpor as barreiras de meu pequeno eu.
Consigo atingir um novo Eu.
Imenso, imensurável. Tridimensional.
Flutuo dentro de mim e já não sou mais eu.
Porque conheço sensações nunca sequer imaginadas.
Atinjo o Universo inteiro em fração de segundos.
Dou-me conta de que tempo e espaço são só ilusões.
Sim, ilusões da matéria.
Já não sou matéria.
Sinto que flutuo, que sou um bumerangue.
Vou e volto de mim.
Sinto-me pequenina e enorme.
Conheço e desconheço meu ser.
Experimento sensações que são puro êxtase.

sonia delsin 



PASSADO... PRESENTE... FUTURO

já passou
já acabou
...
poderá acontecer...
ou não
... 
vivamos 
o momento 
presente



sonia delsin 



SEMPRE NO MEU CORAÇÃO

Você ficará sempre no meu coração.
Como a lembrança mais terna.
Como a mais verdadeira emoção.

Eu passaria com você por tudo que passei.
Eu sofreria todas as dores de novo.
Eu sorriria todas os sorrisos que sorrimos juntos.
Eu vibraria por cada vitória nossa.

Se eu for embora antes de você.
Quero que saiba que levo comigo.
As recordações mais doces.

Saiba que o nosso amor foi
a melhor coisa que me aconteceu
na vida.

Nós dois seríamos seres incompletos
se não tivéssemos nos encontrado.

sonia delsin 



GLÓRIA A DEUS...

Ele no alto dos céus
Eu cá embaixo
Sob o sol
Sob a lua
Eu nesta rua
Caída
Aguardando sua chegada

sonia delsin  





MULHERES

Não importa se chove ou faz sol.
Hoje é um novo dia.
No meu coração brilha um sol intenso.
Tudo é alegria!

Fecho os olhos e vejo borboletas azuis, campos em flor.
Riachos
límpidos e puros a correr entre samambaias.
Vejo campos a perder de vista e vejo eu mesma a correr.
Vejo rostos e vejo saias.

Agora vejo outras coisas.
Coisas que já aconteceram.
São as mulheres das gerações
que me antecederam.

Ponho-me a pensar como eram,
o que sonharam.
E as imagino tão frágeis.
E tão fortes ao mesmo tempo.

Penso no quanto amaram...

Pois elas conseguiram trazer através
dos tempos, e das gerações,
a vida através de si mesmas.

sonia delsin 



MEU PARAÍSO

Me aninho em seus braços.
Sinto a textura de sua pele.
Adoro o contato.
Só você sabe
me fazer feliz.
Só você é meu paraíso.
A paz que eu preciso.
Como amo amar você!
Como sou dependente de
seus carinhos.
Como sou viciada em
seus beijos.
Como estou acostumada
a caminhar
com você
ao meu lado.
Sem você não vejo
mais graça em
nada.

sonia delsin 



SAUDADES...

Sinto saudades das conversas que não 
tivemos. 
Mas que desejei que tivéssemos tido. 
Saudades dos beijos que não chegamos a trocar. 
Mas que foram tão ansiosamente aguardados. 

Sinto saudades das ruas, que com os meus pés 
não caminhei. 
Mas por onde em pensamentos tanto andei. 
Sinto saudades daquela casa de campo que não cheguei 
a construir. 
Mas que vi pronta nos meus sonhos. 

Saudades das coisas que vivi, 
e das que desejei ter vivido. 
Meus sonhos... 
que se alimentaram das minhas mais doces fantasias. 

Sinto saudades da menina que nunca deixou 
de morar em minha alma. 
Mas que dorme tantas vezes pacientemente 
esperando que eu a chame. 
Saudades da menina-moça que se armava de coragem 
para enfrentar as vicissitudes da vida. 
Da mulher-leoa que enfrentou o dia-a-dia. 

A mulher madura de agora acorda sempre 
esperando coisas melhores. 
Sempre confiando que um novo dia é 
um novo tempo. 
Sente saudades... e muitas vezes chora. 
Mas não lamenta o tempo passado. 
Sabe que tudo faz parte do longo caminho 
que se chama “viver”. 


sonia delsin 



POETA DO AMOR

Você, que sob o luar sonha...
Que solta o corpo e deixa os pensamentos livres...
Sua alma lhe escapa e
se transforma em
palavras.
Palavras
que juntas viram
poemas.
Belos poemas de amor
que falam de mar, luar...
Falam de beleza, de sedução, paixão...
Suas musas, etéreas figuras tecidas
com as asas da imaginação...
cobertas de luz do luar, cheirando a mar...
A sensibilidade lhe vazando e deixando-se notar
nas entrelinhas...
É o poeta do amor...


sonia delsin 



MENDIGANDO SEU AMOR

Por você eu já chorei um rio de lágrimas...
Já me fiz em mil pedaços...
Já mendiguei seus beijos, seus abraços.

Subjugada, ajoelhei-me a seus pés
suplicando um olhar...
um olhar que
seus olhos me recusaram.

Por você eu me já humilhei,
rasguei, sangrei...

Escrava de seu amor fui
às últimas
conseqüências...

Embrulhei meu coração
em papel de presente
e o enviei para
você...

Ainda assim
você me recusou...

Então o recoloquei
no peito...

E ele
ainda
insiste
em bater...
só por você.

sonia delsin 



“NÓS”

Estou me revelando neste entardecer.
Ah! Estou reencontrando você
dentro de mim...
Estou...

Como é bom saber que você existe em meu interior!
Não há cobranças, não há senões.
Há você em mim, eu em você.
Nós...

Eu
, você.
Nós.


Estamos interligados.
Nossas almas chacoalhadas
se tornaram um
único ser.
Nós...

Fragmentados e misturados
numa solução ímpar.
Nós...

sonia delsin 



DIANTE DE MIM

Não posso tocá-lo.
Meus dedos tentam.
Buscam alcançar.
Seu rosto dançando...
diante de meus olhos.
Miragem...
Seus olhos de fogo
me fitam.
Sua testa ampla...
aquela ruga.
Você está zangado agora.
Aquela ruga acima da sobrancelha
só aparece
quando você se zanga.
A barba de dois dias.
Sua boca sensual
não se abre num sorriso.
Nem agora.
Você não sorri nem
para minhas lembranças?
Não o quero zangado
à minha frente.
Troco o slide.
Agora sim...
A ruga desapareceu...
Tenho você sorrindo...
diante de mim.

 sonia delsin 



AO SABOR DOS VENTOS

Ela pode se dar ao luxo de sonhar.
Pode...
Pode fazer de conta que é a maior sensação.
Só ela arrebenta corações!
Tudo é permitido para ela.
Tudo...
Porque ela é uma princesa!
Ah! Princesa da goiaba bichada!
Menina, princesa, mulher...
Fantasiando atravessa a vida.
Pregando os dois pés ao chão...
e a cabeça...
essa vai ao sabor dos ventos.
Volúvel, não faz morada.
Ao primeiro vento forte é arrastada.
Cabelos ao vento...
Cabeça de vento.

sonia delsin 



SEGREDO

Não, não!
Não vou lhe revelar outro segredo.
Se tenho medo?
Não, minha alma está em suas mãos...
Toque-a.
Vê como treme!
Não é medo, eu já lhe disse.
Encontrei serenidade.
Deixo exposta toda verdade.
Ela treme porque é vibrante.
Vibra o contentamento.
O desgosto.
O ontem.
O momento.
Eu permito que você
explore cada canto
de meu ser.
Deixo que me conheça
inteira.
Deixo que minha alma
escorregue de mim.
Agarre-se à sua.
É assim que lhe amo.
Abandono-me para alcançar
você.
O que temer... se
sinto-me
mais sua que minha
Se pertenço a você...

sonia delsin 



A CORTINA DO TEMPO

Os raios de sol ao fundo.
Olho o cortinado d’água despejando sobre a plantação.
Os raios douram as gotículas.
Ouço o riacho cantando alto.
É o mesmo onde me banhei na infância.
As águas rolaram... tantos anos se passaram.
Ainda posso ver o mesmo bambuzal daquele tempo.
No mesmo lugar de sempre.
As jabuticabeiras do passado!
Algumas se mantém em pé.
E
se banham.
A terra encharca-se e eu aqui da sacada assisto calada.
Penso que a chuva é uma cortina do tempo que lamento...


sonia delsin 



QUANDO SOFRO

Sob as cinzas dormem brasas.
Feridas que não cicatrizam.
Atrás do meu sorriso escondo uma dor.
Uma dor que não morre com o ontem.
Não morre no hoje.
Carrego minha alma como quem leva uma pluma.
E ora ela se transforma em chumbo.
Choro. A
dor se dobra.
Esconde-se nas dobras de meu ser.
Sorrio, rio. Até a esqueço.
Mas volta e meia ela retorna.
Não há barragens que a segure.
Invade tudo, derrama, espalha.
Choro... lavo a alma.
A dor suaviza, se esconde de novo.
E assim eu sigo.
Sorrio, rio na ilusão que ela se foi de vez.

sonia delsin 



AMEI

Eu amei o seu sorriso que nunca vi.
Amei suas mãos etéreas que nunca alcancei.
Como amei seus lábios que não beijei.
Fantasiei você e sua imagem dançou diante de meus olhos.
Nos meus sonhos você vinha.
Eu colhia flores.
E você enfeitava os meus cabelos.
Caminhávamos pela relva... pés descalços.
Minhas mãos nas suas.
Olhos nos olhos.
Nossos lábios se encontravam.
Nossos corpos juntos.
A relva molhada.
As flores despetaladas.
Nos meus sonhos podíamos até dormir numa cama de flores.
O sonho era tão bom.
O despertar é que foi ruim.

sonia delsin 



“ROSE, ROSA... FLOR”

Rose, rosa, 
flor...que amor! 
Mulher... menina! 
Você me emociona, 
me toca demais. 
Seu riso me lembra uma 
harpa. 
Violino... 
seu sorriso cristalino. 
Seus olhos azuis... 
pedras preciosas. 
Lagoa azul... serena lagoa. 
Sua alma menina 
encontra em meus poemas 
a luz 
que reluz... 
Meu poema que nem 
a traduz. 
Rose, rosa, 
flor! 
Receba meu carinho, 
meu beijo, meu amor!


sonia delsin 

quinta-feira, 21 de março de 2013




MEU AMOR
Não quero ver estes
teus olhos tão magoados...
Não quero que sofras
por mim...
Eu te amo tanto... tanto.
Nada pode separar
nós dois...
Ninguém pode invadir o
nosso mundo.
O amor que lhe tenho
é tão profundo.
Pode acreditar.
Só você eu sei amar.
Só em seus braços eu
desejo me aninhar.
Só sua boca eu quero beijar.
Só com você eu desejo estar.


sonia delsin 



SUAS MÃOS

Mãos capazes de transmitir
energia e brandura.
Me protegem e me acariciam.
Amo-as em mim, em meu
corpo sedento
por carinhos.
Amo-as fora de mim,
na firmeza do trabalho.
Amo olhá-las, são perfeitas
na forma, no tamanho.
Sempre senti desejos
de cobri-las de beijos.
Entre as minhas sinto que
falam comigo.
Desde a primeira vez
que as toquei
senti que sem elas
não saberia mais passar.
Elas sabem caminhar
pelos caminhos
que desejo
que caminhem...
Elas me falam
mais que sua boca...
Amo suas mãos...
amo você.

sonia delsin 



LIBERDADE

Ser livre é saber voar...

Viajar...

Saber voltar.

Ser livre é saber se comandar.

Se soltar...

Se liberar...

Liberdade é ousar.

É acreditar...

É alcançar.

sonia delsin 

quarta-feira, 20 de março de 2013



MELANCOLIA

Eu quero sorrir e esquecer
esta tristeza que
às vezes
me invade.
Penso numa coisa alegre
para tentar aliviar
a dor.
E essa coisa não
vem
tirar
a melancolia
que sinto.
Me xingo, me acho
uma boba.
Me chamo de louca
porque
tenho tudo
para ser feliz
e às vezes... não sou.

sonia delsin 



INEXORÁVEL VERDADE

Eu me perco em meus
passos trôpegos.
Meus passos lépidos...
vai longe o dia.

No chuveiro, que penar!
Sempre preciso quem
venha me auxiliar.

Tremem as minhas mãos.
A vista não alcança.
Aperto os olhos.
Tento ouvir uma frase
que me escapa.

Ensaio caminhar ligeiro.
Qual! Se tentar,
eu me esborracho inteiro.

O tempo parece que
passou tão depressa.
Aquele jovem ligeirinho.
Hoje é só um velhinho.

sonia delsin



PERDÃO

Me perdoa.
Eu lhe peço, me perdoa.
Magoá-lo não era minha intenção.
Foi só um momento de paixão...

Me perdoa.
Eu lhe imploro, me perdoa.
Se puder me perdoa.
Se o machuquei foi um relapso meu naquela hora.
O que faço eu agora?

Me perdoa.
Eu lhe suplico, me perdoa.
Se puder me perdoa.
Vamos esquecer tudo e tentar recomeçar do zero.
Recomeçar é só o que quero.

Me perdoa... se for capaz de me perdoar.
Se o conseguir estenda sua mão e me leve a caminhar.
Há um luar de prata a nos aguardar...
Há beijos guardados em meu coração para ofertar.

sonia delsin 



EM AGOSTO...

Agosto.
Ah! gosto...
Há quem diga que seja azarento.
Justificar porque gosto dele eu tento.
Agosto... findava-se...
cheguei...
Meus pés neste mundo pisei.
Domingo... chovia.
Dores de parto minha mãe sofria.
A parteira não chegava.
A dor aumentava.
Apressada não esperei.
Desajeitadamente no mundo entrei.
Minha mãe e eu.
Nós duas, a mana de dois anos
e uma velha avó,
incapaz de ajudar no parto.
Mãe, seu tremor acondicionou-se
ao meu ser.
Aprendi desde cedo a sofrer.
Nasci... agosto... nós duas.
Meu nascer sobrepujou seu
sofrer.
Naquela hora sua dor
era só amor...


sonia delsin